quinta-feira, 17 de junho de 2010

#0004 - Viagens (Chapter II - Part One: The Beginning - Act One)

Umas horas depois, Gaktak estava numa taverna da aldeia de Araii, a sua aldeia natal, sobre o domínio do castelo com o mesmo nome, mas esta agora situava-se na planície. Era uma pequena aldeia agrícola, com apenas um pequeno mercado, uma espécie de consultório, onde havia um curandeiro, uma espécie de esquadra da polícia, onde se sediava uma milícia que protegia e vigiava a aldeia, e, claro, as casas e os respectivos campos. Embora o Grande Reino de Aranae fosse praticamente só planície, a sua terra era altamente fértil e as suas colheitas eram boas, por isso, raramente os camponeses tinham dificuldades em pagar os impostos.

Gaktak bebericava uma caneca de cerveja... embora muitos fizessem competições para ver quem as emborcava mais depressa, Gaktak preferia apreciar lentamente aquela bebida de cevada fermentada, pois a daquela aldeia era das melhores que alguma vez tinha degustado e, nestas coisas, para apreciar verdadeiramente algo tão bom e delicado, deve de ser feito lenta e calmamente... Gaktak não apreciava cerveja, mas tinha que admitir: aquela era mesmo boa...

Enquanto dava um gole de cerveja, Gaktak lembrou-se de uma ilha sobre qual um capitão, que tinha passado para tratar dumas coisas com o senhor do castelo, há dois meses, lhe tinha contado: -"Do continente, para lá, só partem aqueles que já nada têm a perder, pois a viagem de barco dura 10 dias, e, ao fim do 3º, ao 5º, se tiver sorte, entra-se nas suas águas turbulentas, com correntes e ventos contrários, como se fosse a avisar para voltarmos para casa... são raros os que prosseguem ao fim do 3º dia, e ainda menos os que prosseguiram depois do 5º... e, os que o fizeram, nunca mais foram encontrados... Dentro de 3 meses, da cidade costeira de Narak (a capital do reino, sobre a influência do seu respectivo Castelo de Planalto), a 2 semanas de carroça, a 5 de marcha, partirá um navio para esse destino: O Rasga-Mares... dizem que sobreviveu a algumas das piores tempestades... mas duvido que sobreviva à pior delas todas... Podia sempre tentar contornar a Tempestade… se não se importasse de levar dois dias adicionais e de nunca chegar a deparar-se com a Ilha…"

Gaktak tinha que ir a essa Ilha… durante anos ele treinou e ainda não estava ao nível do seu meio-irmão dez anos mais velho: Victor – um grande necromante, virtualmente intocável, tão corrupto que até os Paladinos o temem… Partilhando o mesmo pai, mas tendo mães diferentes, invejoso de Gaktak por este ter tido uma mãe, há três anos atrás, quando Gaktak tinha dezassete anos, Victor matou-a, juntamente com o seu pai. Por isso, talvez pudesse encontrar na Ilha algo que não tinha encontrado nos seus dezasseis anos de treino físico e mental, sendo os três últimos de treino intensivo. A descoberta e entrada em Sobreposição Planar, ainda imperfeita, deixando-o de rastos sempre que o faz… Portanto, tinha de encontrar a solução: alguma técnica, algum método de treino, alguma pista sobre o seu paradeiro… qualquer coisa que o ajudasse… qualquer coisa que o ajudasse… a retribuir o favor.

Gaktak fez as contas para si mesmo: -"Ora bem... estou na aldeia central... se partir hoje ao pôr-do-sol, saltar do planalto e planar durante um bocado com uma magia de vento, depois correr, utilizar o meu Elementalismo para aumentar a minha velocidade e ainda descansar numa aldeia no meio do percurso durante três dias... devo de chegar daqui a três semanas: na véspera à noite!"

Gaktak gostava das suas possibilidades, e, assim o pensou, assim o fez... Foi a casa, pôs às costas somente o essencial: alguma comida, um cantil (que encheria em alguma aldeia, ou, em ultimo recurso, com o seu Elementalismo), alguns "Brasões" (moedas de ouro, prata, ou bronze, dependendo do seu valor), para poder pagar qualquer despesa, e Ifrii, a sua espada singela de punho de madeira de freixo coberto com cabedal negro, condizendo com a sua bainha... com uma lâmina, guarda-mão e balanceiro feitos de um aço trabalhado com uma cooperação rara... uma cooperação entre Elfos e Anões... Uma arma peculiar: parecia ter personalidade própria... embora se desse bem com qualquer elemento que Gaktak lhe embutisse, ela parecia alegrar-se com o fogo e entristecer-se com a água, a não ser que essa água fosse usada para aumentar a eficiência do elemento electricidade - um subtipo do fogo... notava-se uma certa energia...
A viagem decorreu sem problemas, tirando os próprios deste tipo de empresas.

Gaktak chegou no dia da partida, com os primeiros raios da alvorada: umas horas depois do previsto. Felizmente, o barco só partia ao meio-dia, por isso Gaktak ainda teve tempo de se reabastecer e de marcar uma rede e um baú para si, num pequeno quarto do barco, que mal chegava para uma pessoa. Ao meio-dia, o Rasga-Mares zarpou...

Continua no próximo acto
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RISE!!!

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