sexta-feira, 18 de junho de 2010

#0005 - Viagens (Chapter II - Part One: The Beginning - Act Two: Journal)

Dia 1:
"Zarpámos ao meio-dia... À medida que nos afastávamos de terra, apercebi-me que poderia nunca mais ver a minha terra natal... Mas isso pouca importância tem... Não tenho nada a perder: Os meus pais já morreram e não sei do resto da minha família, a minha casa: uma modesta cabana de três divisões, está bem guardada por uns guardas a que paguei o suficiente para a guardarem durante uns cinco anos, tendo eu ficado, assim, quase falido. Por isso, só consegui reservar este quarto onde eu escrevo agora estas linhas, onde mal cabe uma pessoa, ficando eu e a minha Ifrii aqui apertados... espero que ela fique bem e não se deixe afectar pelo facto de estarmos rodeados de água..."

Dia 2:
"Nada a reportar."

Dia 3:
"Todos esperávamos a Grande Tempestadade de que nos falavam... mas nada: parece que só ao fim do 5º dia de viagem é que enfrentaremos a tormenta... As condições do barco não são más, tendo em conta que estamos rodeados por água salgada e que o barco já passou por cinco Reis... Por vezes tenho de distribuir água aos passageiros, juntamente com um "Águadeiro" (nome depreciativo para quando um Elementalista só sabe fazer magias de água) que o reino enviou para o efeito. Ifrii parece não gostar muito da ideia da água, por isso tenho de a deixar no quarto enquanto eu o faço... na verdade, ontem, foi ela que insistiu na ideia de ficar. Infelizmente, não posso dar a Ifrii o fogo por que ela anseia, pois o barco é de madeira e as velas são de pano, sendo assim uma fogueira flutuante. Ainda consegui dar a Ifrii umas poucas faíscas, de quando tentava acender uma vela para pôr dentro dum candeeiro preso fortemente por grampos e cordas à parede do quarto, mas mais poderia por em risco tudo e todos a viajar neste barco."

Dia 4:
"Nada a reportar."

Dia 5:
"Dou a Ifrii uma pequena dose de faíscas por dia... mas não consigo dar mais do que isso... gostava de poder, mas não posso... mesmo assim, já estou em por em risco a tripulação... poderia gastar o meu Maná todo a dar-lhe o fogo que precisa em forma de faíscas... mas preciso de Maná para enfrentarmos a tempestade e para distribuir água pelas duas centenas de pessoas que viajam neste navio, incluindo a tripulação. Felizmente, ainda tenho alguma água fresca no meu cantil, mas não vai dar para mais um dia... Brevemente, também eu precisarei da minha magia para me manter hidratado... Falando de coisas bem melhores: parece que estamos com sorte... ainda não há nuvens no céu, e espero que não o haja assim tão cedo..."

Dia 6:
"Fiquei sem água no cantil... Se eu me quiser manter hidratado, Ifrii também irá ter que fazer sacrifícios... Hoje encho-o, para não ter que utilizar Maná em mim todos os dias, mas hoje, a ração ardente de Ifrii terá de ficar a metade."

Dia 7:
"Avistámos pela primeira vez nuvens de tempestade. Por um pouco, ancorámos em alto mar e fomos todos ao convés, onde o capitão nos queria dar umas palavras: -"Estão a ver aquilo?" - perguntou ele, apontando para as nuvens -"Usámos e abusámos da nossa sorte! Embora só lá chegaremos daqui a dois dias, presenciaremos a maior tempestade que alguma vez veremos! E provavelmente, esta será a última que alguma vez verão! Por isso digam-me: estão certos que querem continuar? Eu não quero arriscar a vida de duzentas pessoas sem saber que estão todos decididos!"
Silêncio sepulcral no convés... na verdade, já cerca de cinquenta pessoas tinham sucumbido à doença e os seus corpos atirados à água salgada, levados pelas correntes e para longe do barco.
-"Eu quero ver essa ilha!" - gritou um homem. Pouco depois, todos os outros concordaram, um por um. Mas, ao que parece, o capitão reparou em mim... também, era um pouco difícil de não o fazer: eu era o único jovem de cabelo branco na multidão... e estava calado...
-"Então e tu jovem?" - todos olharam para mim -"Não queres prosseguir?"
-"Claro que quero!" -
respondi -"Já chegámos tão longe, não é agora que vamos desistir!"
Pouco depois, todos os outros gritaram em concordância, e, para não se repetir a mesma cena, juntei-me à manada. Em seguida, levantámos âncora e prosseguimos viagem..."

Dia 8:
"Aproximamo-nos cada vez mais da tempestade... já dá para sentir o cheiro a trovões. Hoje durmo com Ifrii à cintura, bem presa a mim. Por todo o navio se fazem os preparativos para a tormenta: Prende-se tudo às paredes, tudo é racionado e as bombas d'água e os botes são preparados e inspeccionados..."

Dia 9: Dia presente...
Continua no próximo acto
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RISE!!!

1 comentário:

Ronald disse...

Que acontecerá?