terça-feira, 16 de novembro de 2010

#0010 - Viagens (Chapter II - Part Three: Rescued – Act One)

Gaktak não tinha forças suficientes para se levantar, mas, ao sentir que Ifrii não estava ao seu lado, exaltou-se:
-"Onde está Ifrii?"
-"Tenha calma..." - o homem tentou tranquiliza-lo.
-"Mas... quem é Ifrii?" - perguntou a mulher.
-"Porra! A minha espada!" - Gaktak acalmou-se, não estava a ser cortês para com aqueles que o haveriam salvado -*suspiro*" Ifrii é a minha espada..."
-"Quê?" - a mulher interveio -"A espada que come fogo?"
Gaktak levantou-se de sobressalto, sentando-se na cama, tinha ganho forças na esperança de Ifrii estar naquele navio. Ao sentar-se, o lençol de linho caiu, e reparou que estava desnudo, simplesmente com uns trapos de linho a cobrir-lhe a região púbica, e reparou numa corda pendurada paralelamente a ele, a uns 2 metros da cama, as suas roupas, e, numa mesinha mesmo ao lado do seu leito, estava a sua bolsa os seus braçais e o seu amuleto. Ifrii, a sua bainha e o seu cinto deveriam de estar noutro sítio.
-"Onde é que ela está?" - Gaktak levantou-se. Estava a recuperar energias. -"Onde?"
-"Aqui!" - respondeu a mulher - "Mas isto é realmente uma espada?"
-"É feita de metal? Parece-te uma espada? Não é um machado, pois não? Não é uma faca de manteiga, pois não? Então sim, é uma espada!" - disse Gaktak, com um tom sarcástico. -"Oh bem, mas o que é feito das minhas maneiras?" - Gaktak agarrou em Ifrii, embainhada, com o seu cinto pendente e a fazer um ligeiro movimento pendular e fez uma pequena vénia -"Chamo-me Gaktak Elentirr, Necr... *cough**cough*" - Gaktak ia-se descuidando -"...Elementalista e Homem d'Armas, eternamente grato e ao vosso dispor."

-"Hum... Homem d'Armas... Então também és um guerreiro!"- exclamou o homem.

-"Também sou Elementalista! É assim que se diz, certo?"- disse a mulher.

-"Uh... (Mas que raio? Agora uma Elementalista que não sabe dizer o que é? Ela deve de ser inexperiente…) Sim..."- respondeu Gaktak -"Que tipo de armas usa?"

-"Bem... nada de mais... uma espada, um arco, e um punhal... resumidamente, o básico... a minha espada, bem como o meu arco, foram heranças do meu pai... Já agora, o meu nome é Rohan, e esta jovem chama-se Lilyth. E as suas? Hum... não gosto muito de formalidades... no campo de batalha não se usam muito, não estou habituado... posso tratá-lo por «tu»?"

-"Certo, à vontade... na verdade, até te percebo... *hehe* estava só a tentar ser bem-educado... podes chamar-me por «tu» ou pelo meu nome, não há problema... Quanto às armas, embora normalmente só utilize e esteja especializado em espada de mão e meia, a Ifrii, também sou versado em adagas, punhais, chicotes e maças d'armas, machados... uma miríade delas..."

-"Eu também uso mais a minha espada do que o meu arco ou o punhal... na verdade, uso o arco raramente, embora tenha bastante perícia com este... Mas a minha espada... é uma espada curiosa... Não oxida, não precisa de manutenção, está na minha linhagem há muitas gerações, e a sua lâmina nunca perdeu o seu vigor..."

-"Hum... Isso parece-me de fabrico élfico ou obra de anões... eles é que costumam fazer coisas do género, embora raramente haja registos de colaboração entre essas duas raças..."- Gaktak olhou para as suas roupas e passou a mão por elas: ainda estavam húmidas... -"Há algumas roupas secas por aqui? Não posso andar por aí assim, quase nu..."

-"É capaz, espera um pouco. Lilyth, vais ao nosso quarto e trazes-me umas vestes minhas? São capazes de servir a Gaktak."

-"Sim, claro, trago já."- respondeu Lilyth, aposentando-se do quarto.

-"Obrigado."- disse Gaktak.

Enquanto esperavam pelas roupas, Gaktak aproveitou para examinar melhor os seus novos aposentos: como seria de esperar num barco, tudo era feito de madeira... havia uns poucos pontos no chão já corroídos pela idade... o barco já deveria de estar perto da "reforma"... Havia uma cómoda com algumas gavetas com fechaduras, com uma bacia de porcelana encrostada na cómoda e um jarro de metal com água ao seu lado, um pedaço de um espelho directamente por cima, fixado à parede e, aos pés da sua cama, havia uma cadeira e uma arca, grande o suficiente para servir de escrivaninha. Gaktak apalpou o colchão e o travesseiro: um, parecia palha dentro de vários sacos de linho, confortável o suficiente para dormir, e, o outro, era basicamente outro um ou dois sacos de linho, mas enchido com penas.

-“Então, a tua… huh… mulher, também é Elementalista?”- perguntou Gaktak

-“Hum… Elementalista? Sei lá, a única coisa que eu sei é que ela deu bolas de fogo à espada, e que faz coisas que eu pensava serem impossíveis…”

-“Uh… Certo… Então qual é o elemento predominante dela?”

-“Ugh… Fogo?...”

-“Hum… Ela parece inexperiente… Se quiseres posso treiná-la… Tens é de me dar um ou dois dias para recuperar todo o meu Maná…”

-“Eu não percebo nada disso, confesso que fui apanhado de surpresa por tudo isto, nem eu nem ela sabíamos do que se estava a passar… Gostaria de assistir, caso possível, pois ao menos fico a saber do que se trata, visto agora eu ser um completo ignorante nesta matéria…”

-“Certo, depois quando a for treinar logo dou uma explicação para isto… Se puder ajudar em alguma coisa enquanto recupero o meu Maná, tenho todo o gosto em vos assistir.”

-“Agora o importante é deixar o mar, chegar a terra… Para dizer a verdade, este barco também não resiste muito mais… Para onde seguias?”

-“Seguia para uma Ilha… Queria ver como era… Já a encontraram?”

-“Hum… A Ilha… A porra da Ilha… Aquela que foi nadar com os peixinhos? Sim, também íamos para essa Ilha, que agora já não é Ilha nenhuma, é fundo oceânico…”

-“Tens a certeza? Bem… só espero é que quem quer que lá vivesse tenha escapado… O mar já teve a sua ração de corpos… Depois quando a tua mulher… Lilyth, certo? Chegar com as roupas, logo confirmo isso…”

-“Logo… Confirmas?”

-“Sim, quero ver isso com os meus próprios olhos… Diz-me, estava algum fundão no sítio onde seria suposto estar a Ilha?”

-“Bem, um fundão bem grande… Para dizer a verdade, estamos agora nele… “

Lilyth tinha chegado com as roupas: uma camisa branca e calças negras, ambas de linho.

-“Óptimo, chegaram as roupas. Anda Lilyth, deixa Gaktak vestir-se em paz. Estaremos no convés á tua espera.”

Gaktak esperou até os seus novos anfitriões se retirarem e vestiu-se. As roupas ficavam-lhe um pouco curtas, mas, na posição onde ele estava, não podia ser picuinhas.
Depois de se vestir, Gaktak deitou-se, emaranhado nos seus pensamentos, acabando por adormecer. Acordaram-no umas horas depois, esfomeado.

-“Não dizias que querias ajudar? Já chegámos a terra… Vem, vamos procurar comida…”- foi Rohan que o acordou.

Ainda ensonado, Gaktak levantou-se da cama e arrastou-se até à cómoda, pegou no jarro de metal, despejou alguma água na bacia e lavou a sua cara. Depois, olhou para o que restava do espelho e examinou a sua face: já não fazia a barba já há algum tempo… A sua barba já estava a ficar grande… se um jovem com cabelo branco já era estranho, então um com barba branca… Gaktak saiu do barco e, descalço, pisou a areia branca. Embora as suas botas não tivessem sido danificadas pela água e pelo sal, sendo de fabrico élfico, ainda estavam molhadas, por isso, ainda não podiam ser calçadas, estando em um de dois sacos de linho que Gaktak levava às costas com o resto dos seus pertences, exceptuando Ifrii, que estava à sua cintura. O barco estava ancorado a poucos metros da costa, e Gaktak, Rohan e Lylith tinham desembarcado num dos poucos botes que ainda estavam em condições. A cerca de cem metros mais à frente, havia uma floresta densa. Ao fundo, via-se várias e pequenas colunas de fumo branco.

-“Depois de reabastecermos,”- sugeriu Gaktak -“que acham de irmos ver a aquela cidade se conseguimos arranjar ajuda para reparar o barco?”

-“Porque não…”- respondeu Rohan -“Somos poucos e o barco está em muito mau estado… Para além disso, não temos alimentos e os marinheiros estão famintos e fracos…O que conseguirmos arranjar não é suficiente para a viagem de regresso…”

-“Hum… tentamos arranjar algo para comer, depois, trato de algo para encurtar a nossa viagem… Em relação à comida, acho que também posso ajudar…”- Gaktak concentrou-se e esticou o seu braço direito para a frente, com a mão aberta e com a palma virada para cima -“Fogo que arde no centro do nosso planeta, Vento que sopra pelos campos e Terra que nos circunda, Água que é parte do nosso ser como criaturas que somos, juntem-se em conluio e animai parte de vós para me auxiliar. Dá-me um ser etéreo, para se poder movimentar facilmente até mim. Eu preciso desse mensageiro. Deixai-me possuir e usufruir dessa vossa porção. Rodopia, Elemental do Vento!”- uma pequena criatura feita de vento, lembrando um tornado com uma esfera no topo, com dois pequenos braços e dois grandes olhos azuis feitos de luz. Deu um mortal para trás na mão de Gaktak e soltou um pequeno guincho. Depois, Gaktak repetiu o processo, agora esticando o braço esquerdo. Gaktak dirigiu-se às criaturas: -“Vamos agora para aquela floresta procurar caça. Se encontrarem algo próprio para o consumo humano, venham ter connosco e mostrem-nos o caminho. Memorizem as nossas assinaturas de Maná para nos encontrarem. Percebido?”- as criaturas soltaram um pequeno guincho, deram um mortal para a frente, juntaram-se e separaram-se. Gaktak sorriu -“Certo, agora vamos.”
As duas criaturas deram um mortal para trás e saíram disparadas das mãos de Gaktak a grande velocidade, cada uma para a sua direcção. Em seguida, Gaktak, Rohan e Lylith partiram, em grupo, para a floresta.




Continua no próximo acto
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RISE!!!

1 comentário:

Ron disse...

Gosto especialmente das queridas criaturas de vento criadas pelo Gaktak (necromante)! XD