segunda-feira, 30 de maio de 2011

Intersecção VI

Enquanto se apartavam, ele olhou para o relógio e começou a correr: já estava atrasado. Ao encontrar o grande edifício onde trabalhava, um arrepio percorreu-lhe a espinha: aquela torre de vidro deveria de reflectir o azul do céu, certo? Mas, no entanto, era cinzento. Ilusão de óptica? Não, ele olhou para cima e o próprio céu era cinzento, sem uma aberta sequer pelas carregadas nuvens. De qualquer modo, entrou, picou o ponto e sentou-se no seu cubículo, à frente de um computador já ligado. Ele costumava pôr num post-it o trabalho que teria de fazer no dia seguinte e os prazos para tal. Ou assim ele pensava. Ao descolar o pedaço de papel amarelo do ecrã do aparelho e viu que estava em branco. Mas que raio? Foi ver os documentos que tinha pendentes e os arquivos dos escritórios: nada, só papéis em branco. Mas o que fariam eles ali? Tentou alertar os seus colegas para tal, mas a sua resposta era sempre um olhar vazio: até uma vaca a olhar para um comboio a vir na sua direcção teria mais expressão nos olhos. Pensou "nela", talvez ela já se teria apercebido daquilo, ela o ouviria, e, juntos, talvez, conseguiriam devolver a Vida a mais alguém... Só faltava encontrá-la. Mas onde estaria? Num impulso, foi para a intersecção onde se tinham encontrado. Depois, logo veria o que fazer.

E começou a correr.

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RISE!!!

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