quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Tábula Rasa I

Acordo. Saio da cama e piso o chão de madeira da minha casa... Sinto-me dormente... devo de ter dormido demais. Enquanto lavo a cara lembro-me daquele pesadelo... Fiquei coberto em suor seco, tenho de tomar banho. Saio da sala fumegante, visto-me, abro a porta do meu apartamento e desço as escadas. Depois de uns quantos andares paro e bato à porta dela. Costumamos ir para o trabalho juntos... aproveito a boleia dela. Não responde... já deve de ter saído... quer dizer que hoje apanho o autocarro. Lindo. Saio pela porta da rua e deparo-me com algo que não estava à espera: um grande, infinito prado verdejante, semeado de colinas e com sebes de montanhas na linha do horizonte. Maravilho-me com a visão deante de mim e pergunto-me para onde é que teria sido transportado. Seria aquilo um sonho? Bem, então para voltar ao real bastava voltar atrás e adormecer. Virei-me para voltar para a minha cama e não encontro nada a não ser relva, flores e ervas daninhas. Perfeito, isto quer dizer que estou aqui preso durante algum tempo. Não que isso seja necessariamente mau... A paisagem é bonita, o tempo agradável e decerto que a fruta das árvores é comestível e que encontrarei alguma fonte de água potável em breve... Se isto for mesmo um sonho, não deverei de precisar, mas vou jogar pelo seguro.

Do céu, cai um envelope com o meu nome. Abro-o. Do envelope aberto sai um fumo vermelho que se dissipa para revelar um pequeno demónio vermelho.

-"Olá e bem vindo mais uma vez a Tábula Rasa! O meu nome é Flamma e a minha função é ajudar-te a sonhar!"

Mais uma vez? Quer dizer que já cá estive antes?

-"Sim, já estiveste. No entanto, quando acordares, só te irás lembrar do sonho... isto é se te lembrares do que quer que seja. Em relação a morte e adormecimento, não te preocupes! Morrerás e partirás para um dos planos alternativos onde a tua alma aguardará o seu julgamento!"

Uau, não sei porquê, mas isso não me conforta muito... e para mais, ele (ou será ela?) consegue ler-me os pensamentos... Ao tentar falar apercebo-me que não consigo, sendo então a leitura psíquica completamente justificável. Mas espera... eu já tinha morrido em sonhos anteriores, e simplesmente acordava... porquê?

-"Bem"- em cada mão do demónio aparecem e dissipam-se nuvens de fumo vermelho, dando lugar a um par de óculos e a um ficheiro -"de acordo com o teu ficheiro, estás em coma...um acidente terrível, sim, mas não te preocupes, aquela que estava no carro contigo não corre perigo de vida, embora esteja a recuperar de lesões graves."- da mesma maneira que o ficheiro e os óculos apareceram, eles desapareceram. -"Agora se tivesses a gentileza de passar por esta porta, podemos começar."

Um pequeno tremor de terra abalou o prado e uma porta de madeira emerge. Estendo a mão e viro a maçaneta. O que me esperará do outro lado?

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RISE!!!

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