quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Num Barco de Juncos

Alumiado à luz da vela,
O Poeta escreve.
Louco, loucamente enlouquece.
No entanto, é são.
Sóbrio no seu traço,
Preciso na sua tela.

As cores juntam-se,
As palavras fluem,
E da ponta da caneta,
E do cérebro que a alma enceta,
E do coração,
E dos olhos,
E da mão, nariz, boca,
Todos eles sentem que a lira se acerca.

Mas que será?
Amor?
Não, talvez um épico.
Nem ele sabe o que escreve,
Escreve num impulso,
Apaga,
Rasura,
Escreve de novo,
Levado pelas Musas,
Naquele pequeno ímpeto de sã loucura.

Por fim, pousa o lápis,
(Não era uma caneta?)
Reflecte, analisa,
(Mas não era impulso?)
E sente-se descontente.
E reescreve.

Finalmente, surge o Sol,
O Rei demanda poesia,
E o poeta recita os seus versos,
O filho da sua mente,
A sua submissão à loucura.

E mais uma vez,
Ele encontra-se no seu prado.

E começa a correr.

E no fim, nasce a poesia.
É terra,
É maresia,
É céu,
É fogo,
É ar!
É tudo e nada e palavras escrevinhadas no papel!

E assim nasce a alma.

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