sábado, 2 de junho de 2012

Tábula Rasa II

Abro a porta.

Do outro lado não vejo nada a não ser a mesma paisagem. Lentamente, emergem da terra casas, prédios, estradas, e, com um último tremor de terra, recolhe-se a porta por onde entrei. O dia torna-se noite e o meu relógio recua oito dias.
Estou na minha cidade, e... mas o que estou a fazer aqui a estas horas? Já devia de estar em casa! Sinto que me esqueci de algo... mas o quê?

Bem, não interessa, tenho de me despachar que amanhã é um novo dia e tenho de me levantar cedo se quero apanhar a boleia da Elisabeth. O que vale é que só tenho de andar mais um quarteirão... Mas do que é que me esqueci? Argh! Raio das horas extraordinárias! Já disse ao chefe que isso só faz é mal ao cérebro, mas ele não me liga... Se ele as fizesse também saberia do que falo.

Rosno. E pois claro que rosno! Se não fosse por ele não tinha perdido boleias, nem autocarros e não tinha de andar os 10 Km do escritório a pé (Podia ter chamado um táxi, mas não tenho dinheiro para desperdiçar nisso)! Para mais, "casa" é num prédio de doze andares sem elevador e é aqui o "je" quem vive no décimo-segundo... Acelero o passo, que agora é "só" subir as escadas... chego a casa, como qualquer coisa e vou logo para a cama, de tão cansado que me encontro.

Sinto-me a acordar, mas não no meu quarto: é um sonho. Vejo todo desfocado e ouço os sons abafados. Só ouço um som com clareza: um "bip, bip" constante e irritante. Volto a adormecer.

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RISE!!!

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