quarta-feira, 4 de julho de 2012

Tábula Rasa III

Acordo.

Estou de volta ao meu quarto, à vida real. sou acordado por um "bip, bip", irritante e constante. Foi o despertador que Elisabeth me ofereceu pelos meus anos, para ver se não voltava a perder a boleia dela. Embora irritante, faz o seu trabalho. Abençoada seja aquela mulher!
Levanto-me e inicio a minha rotina matinal. Em meia hora, se tanto, estou no sétimo andar a bater à porta de Elizabeth para ver se ela já está pronta. Após alguns minutos de espera oiço um buzinar. Como é que ela se antecipa sempre? Saltando vários degraus de cada vez, apresso-me para chegar ao rés do chão. Abro a porta do carro.
-"Mais um bocado e apanhávamos a hora de ponta."
Obrigado Capitã Óbvia.
-"De nada."
Aceleramos e, em cerca de um quarto de hora, chegamos ao nosso destino. Entramos no elevador, saio antes dela, que trabalho no sexto e ela no não-sei-quantos.

Durante o dia, despacho o trabalho, a ver se não me obrigam a fazer horas extra. Mesmo assim, perco a boleia da Elizabeth. Felizmente apanho outro colega que vive na zona, por isso, chegando a casa, ainda tenho tempo para ler um pouco do meu livro favorito e chacinar alguns demónios num videojogo.

Deito-me na cama, e adormeço.

E tenho o mesmo sonho, mas agora não me vejo na minha perspectiva, mas na de outra pessoa. Parece estar alguém sentado à minha cabeçeira... mas ainda está tudo desfocado. Mais uma vez, só distingo o "bip, bip", constante e irritante. Como que embalado, quer pelo som, quer pelo cansaço, volto a adormecer.

Sem comentários: